
O que constitui minha vida vem insinuando que eu não posso me esconder de mim mesmo por muito tempo. Há algumas milhas daqui, tem um túnel querendo se fazer de protetor; que me atrai. Eu me imagino cedendo à luz, ao desespero de alcançar o outro lado da montanha para contemplar a imagem. Nunca foi tão dispensável ao notar aquela escuridão junto a muitos gritos, mas com luzes vermelhas de neon como as dela, minha eternidade. Eu, curiosa e ousada; segui em passos lentos querendo abraçar meus medos, entregando-me. Me arrisquei a morte, mas pelo menos eu veria minha iluminação preferida.
- Contraditório, não? Morrer junto àquilo que me faz eterna e me mantém viva. – Amedrontou.
- Não, Alice. Mas se você for, será para sempre. E sai vantajosa, conhecerá a melhor das melhores luzes.
- Então você acredita em Deus? – Curiosa.
- Eu acredito na força de sua espiritualidade, Alice. Você pode encontrar o que for, mas acho que as raízes seriam muito injustas caso te fizessem a escuridão. – Sussurrou. – Posso lhe contar um segredo? Além do inferno, que é onde nós estamos, há o céu.
- Mas estou viva. O inferno é sinônimo de morte.
- Escutastes os gritos? Aqui é o inferno. Ali é um male. Um abuso. O que mais pode ser pior que isso? Onde mais?