
- Você sabe do que precisa para viver? – Suas unhas estavam inclinadas à minha direção, tratando-me como sua presa. Dedilhadas ao vento, nem sequer parecia brincadeira de criança. – Você não tem a menor idéia do poder de suas necessidades. Não sabe quem tu és. Olhe para si mesma e aponte seus defeitos antes que seja tarde demais.
- Eu faço da minha própria vida o que todos sempre quiseram. – Olhei com seriedade. Por um momento me senti indireta aos meus próprios gestos. – Não me desloque!
As luzes da encenação juntaram-se as falas e tudo se tornou contraditório. Corri contra minhas próprias eternidades e caí num buraco negro.
- Permanecerá hipócrita, Alice? Esta é sua decisão? – Gritou-me.
- Mas eu não sei fazer o uso dos meus poderes. – Pulei como se houvesse mola em meus pés, ou qualquer outro tipo de força que me pudesse trazer a luz do sol.
- Sabes que olhar para mim é deprimente. Feche os olhos e crie um conceito para o ‘‘sempre’’, ou jamais sairá. – Fechou-se o buraco.
Está escurecendo. Sorte a minha. Idiotas, eles nem sequer sabe os meus motivos da sede de acordar. Logo ela aparecerá, trará luz aos meus olhos e mel à minha boca. Um, dois ou três suspiros nunca fizeram tanta indiferença; não estava me sentindo viva. Não tinha com quem desperdiçar eternidades, e nem sequer por quê. Algo sugava os meus pensamentos, pois eu não tinha com quem fazê-lo. Um tombo bastou para que eu pudesse me retrair, me esconder de tudo aquilo que não me fazia bem – ora, me esconder de meus próprios defeitos num buraco negro?Até aí hipócrita, Alice? – Sabia que aquilo não era tão real quanto parecia, mas em meus sonhos ela estaria. Minha protetora das noites, pequena e escondida em meu quarto a desejo de fazer parte dos meus sonhos.
- Ei, fada, por que você não está brilhando hoje? Acabou a energia elétrica? – Confusa, pensei com as mãos trêmulas e erguidas para o céu, prestes a compartilhar fraqueza.
- Injusto seria se eu o fizesse, Alice. Não posso iluminar teus caminhos, não há de fazer. Eternize, pequena, eternize. – Passou-me as mãos pelos cabelos.
- Há de amor, vagalume. Amor demais, fada. – Finalmente disse. – Só não me deixes só. É o meu combustível de eternidades, pois o meu ‘‘eu-te-amo-para-sempre’’ só é válido quando estás aqui.